O termo “Alimento Funcional” foi primeiramente utilizado no Japão, na década de 80, através do FOSHU (Food For Specified Health Use) definiu-se os alimentos funcionais como sendo os “alimentos ou quaisquer ingredientes que apresentem um impacto positivo na saúde, desempenho físico, ou estado mental , além de serem nutritivos.” Estendendo-se os estudos, posteriormente a outros países.
Existem, entre outros compostos, os Fitoquímicos que são substâncias encontradas em frutas e verduras, que podem ser ingeridas diariamente em determinadas quantidades e mostram potencial para modificar o metabolismo humano de maneira favorável à saúde. E os Nutracêuticos que são suplementos que proporcionam uma forma concentrada de um agente bioativo e usado para melhorar a saúde em doses que excedem aquelas presentes nos alimentos normalmente.
Os Nutracêuticos são comumente confundidos com os alimentos funcionais, porém, a diferença está na forma de administração, onde os alimentos funcionais devem estar em sua forma de um alimento íntegro e tendo como função a redução do risco de desenvolver doenças. Enquanto o nutracêutico inclui suplementos dietéticos e são usados na prevenção e tratamento de doenças, ou seja, possuem benefícios médicos.
Todos os alimentos ditos funcionais devem ser devidamente registrados pelo DIN (Drug Identification Number) e devem estar de acordo com as diretrizes básicas para análise e comprovação de propriedades funcionais e ou de saúde alegadas nas rotulagens de alimentos.
No Brasil a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA), alega através das Resoluções nº18 e 19 que a propriedade funcional dos alimentos, é aquela relativa ao papel metabólico ou fisiológico que o nutriente ou não nutriente tem no crescimento, desenvolvimento, manutenção e outras funções normais do organismo humano.
Os Alimentos com alegações de propriedades funcionais e/ou de saúde, segundo ANVISA são: FOS e inulina presentes no trigo frutas e vegetais que são capazes de manter íntegra a microflora intestinal e proporcionar uma adequada função intestinal; a lactulose, a fibra alimentar, a dextrina resistente e a goma-guar ajudam no tratamento de constipação intestinal; o psyllium também presente em módulos de fibra reduzindo a absorção de gorduras pelo organismo; a quitosana que também reduz a absorção de gorduras além do colesterol; ômega 3 presente em óleo de peixe e linhaça que auxilia na redução de hipertrigliceridemia; o licopeno que diminui o extresse oxidativo e está presente na goiaba, no tomate e na melancia; a luteína e a zeaxantina também reduzem o estresse oxidativo e são encontradas no espinafre, milho e fubá; a beta-glucana presente na aveia e que tem papel no tratamento da hipercolesterolemia; os fitoesteróis que reduzem a absorção de colesterol; os polióis que previnem a cárie dentária; os probióticos que possuem papel importante na manutenção da flora intestinal e a proteína de soja que reduz o colesterol sanguíneo.
Outros compostos realizam efeito benéfico ao organismo, porém não possuem alegação de funcional pela ANVISA como o resveratrol presente na uva e no vinho tinto, flavanóides presentes no chá verde, catequina, epicatequina e procianidina presentes no cacau, ácido clorigênico e a cafeína presentes no café, o hidroxitirosol e o oleuropeína presentes no azeite de oliva virgem, a curcumina no açafrão, o sesaminol no gergelim, a alicina no alho e o gingerol no gengibre. Ainda são necessários mais estudos que comprovem a ação desses compostos no organismo.
Atualmente, por todo o mundo, tendem a aumentar os trabalhos sobre composição dos alimentos, associados a uma aplicação mais ampla destes dados, incluindo a análise das dietas e a investigação sobre relação entre as dietas e a saúde. Os Alimentos Funcionais são suscetíveis de melhorar a saúde, mas é conveniente valorizá-los na sua justa medida e usá-los sabendo que não são a solução de todos os males, são benéficos e fornecem um complemento saudável a uma dieta apropriada e a um estilo de vida saudável.