segunda-feira, 13 de junho de 2011

Alimentos Funcionais

O termo “Alimento Funcional” foi primeiramente utilizado no Japão, na década de 80, através do FOSHU (Food For Specified Health Use) definiu-se os alimentos funcionais como sendo os “alimentos ou quaisquer ingredientes que apresentem um impacto positivo na saúde, desempenho físico, ou estado mental , além de serem nutritivos.” Estendendo-se os estudos, posteriormente a outros países.
                Existem, entre outros compostos, os Fitoquímicos que são substâncias encontradas em frutas e verduras, que podem ser ingeridas diariamente em determinadas quantidades e mostram potencial para modificar o metabolismo humano de maneira favorável à saúde. E os Nutracêuticos que são suplementos que proporcionam uma forma concentrada de um agente bioativo e usado para melhorar a saúde em doses que excedem aquelas presentes nos alimentos normalmente.
Os Nutracêuticos são comumente confundidos com os alimentos funcionais, porém, a diferença está na forma de administração, onde os alimentos funcionais devem estar em sua forma de um alimento íntegro e tendo como função a redução do risco de desenvolver doenças. Enquanto o nutracêutico inclui suplementos dietéticos e são usados na prevenção e tratamento de doenças, ou seja, possuem benefícios médicos.
                Todos os alimentos ditos funcionais devem ser devidamente registrados pelo DIN (Drug Identification Number) e devem estar de acordo com as diretrizes básicas para análise e comprovação de propriedades funcionais e ou de saúde alegadas nas rotulagens de alimentos.
No Brasil a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA), alega através das Resoluções nº18 e 19 que a propriedade funcional dos alimentos, é aquela relativa ao papel metabólico ou fisiológico que o nutriente ou não nutriente tem no crescimento, desenvolvimento, manutenção e outras funções normais do organismo humano.
                Os Alimentos com alegações de propriedades funcionais e/ou de saúde, segundo ANVISA são: FOS e inulina presentes no trigo frutas e vegetais que são capazes de manter íntegra a microflora intestinal e proporcionar uma adequada função intestinal; a lactulose, a fibra alimentar, a dextrina resistente e a goma-guar ajudam no tratamento de constipação intestinal; o psyllium também presente em módulos de fibra reduzindo a absorção de gorduras pelo organismo; a quitosana que também reduz a absorção de gorduras além do colesterol; ômega 3 presente em óleo de peixe e linhaça que auxilia na redução de hipertrigliceridemia; o licopeno que diminui o extresse oxidativo e está presente na goiaba, no tomate e na melancia; a luteína e a zeaxantina também reduzem o estresse oxidativo e são encontradas no espinafre, milho e fubá; a beta-glucana presente na aveia e que tem papel no tratamento da hipercolesterolemia; os fitoesteróis que reduzem a absorção de colesterol; os polióis que previnem a cárie dentária; os probióticos que possuem papel importante na manutenção da flora intestinal e a proteína de soja que reduz o colesterol sanguíneo.
Outros compostos realizam efeito benéfico ao organismo, porém não possuem alegação de funcional pela ANVISA como o resveratrol presente na uva e no vinho tinto, flavanóides presentes no chá verde, catequina, epicatequina e procianidina presentes no cacau, ácido clorigênico e a cafeína presentes no café, o hidroxitirosol e o oleuropeína presentes no azeite de oliva virgem, a curcumina no açafrão, o sesaminol no gergelim, a alicina no alho e o gingerol no gengibre. Ainda são necessários mais estudos que comprovem a ação desses compostos no organismo.
Atualmente, por todo o mundo, tendem a aumentar os trabalhos sobre composição dos alimentos, associados a uma aplicação mais ampla destes dados, incluindo a análise das dietas e a investigação sobre relação entre as dietas e a saúde. Os Alimentos Funcionais são suscetíveis de melhorar a saúde, mas é conveniente valorizá-los na sua justa medida e usá-los sabendo que não são a solução de todos os males, são benéficos e fornecem um complemento saudável a uma dieta apropriada e a um estilo de vida saudável.

sábado, 14 de maio de 2011

Saúde Intestinal: diretamente relacionada com um organismo saudável livre de doenças.

Quando pensamos no intestino, nos passa pela cabeça apenas a fase final de digestão e excreção dos alimentos. Mas na verdade o intestino muito nos tem a dizer em relação a nossa saúde, pois uma flora intestinal íntegra e saudável nos garante além do bom funcionamento intestinal, a prevenção de uma série de doenças como o câncer, síndrome do intestino irritável e inclusive a obesidade. Muitas pessoas acreditam que ir ao banheiro pelo menos uma vez ao dia todos os dias, já garante um funcionamento intestinal saudável, porém, hoje sabemos que não é bem assim que acontece.  Sabe por que?
O intestino é a parte final do tubo digestivo responsável pela absorção de nutrientes e água e pela excreção dos resíduos. Para entender um pouco sobre o funcionamento intestinal, precisamos de uma rápida noção da anatomia do Intestino.  O intestino é dividido em delgado que compreende duodeno, jejuno e íleo; e grosso, que compreende ceco, cólons (ascendente, transverso, descendente e sigmóide), reto e canal anal.
Sendo assim no intestino delgado ocorre a maior parte da absorção dos nutrientes (proteínas, lipídios, carboidratos e vitaminas) provenientes da dieta. Os nutrientes são absorvidos pelo sangue e passam para o fígado para serem distribuídos a todo organismo. Já no intestino grosso são acumulados os resíduos da digestão, as fezes, sendo neste local absorvida a água antes de passar ao reto. Além dessas estruturas, podemos contar também com a ajuda da parede intestinal que é a responsável pela absorção de alguns nutrientes, bem como é responsável por proteger o organismo da entrada de substâncias estranhas e  alimentos mal digeridos.
No intestino encontramos também uma grande quantidade de bactérias, que formam a microflora intestinal. As bactérias intestinais são organismos que funcionam quase como um “órgão” metabolizador que fermentam os carboidratos e as fibras alimentares que não foram digeridas no intestino delgado e formam gases que produzem ácido lático e ácido graxo de cadeia curta. Ácidos esses que fornecem energia para a renovação das células intestinais, melhoram a absorção de minerais e nutrientes, sintetizam vitaminas, diminuem o PH do cólon formando um meio onde as bactérias potencialmente patogênicas não podem crescer e se desenvolver, ou seja,  exerce uma ação antibacteriana em relação as bactérias patogênicas, estimula o sistema imunológico, participam na síntese da vitamina K, etc. Portanto, constituem uma barreira protetora que impede a entrada de substâncias estranhas e nocivas ao organismo, capazes de influir na saúde e bem estar do corpo.
Assim, a microflora intestinal é essencial para que o mecanismo de proteção trabalhe normalmente. Na realidade, não ter um equilíbrio bacteriano correto no intestino está associado a uma série de distúrbios, como o síndrome do intestino irritável, inflamação intestinal, câncer de cólon e gastroenterite por exemplo. Mudanças na dieta ou nos padrões alimentares, e o uso de antibióticos, podem ter efeitos nocivos no balanço da microflora intestinal. Uma série de produtos alimentares tem sido desenvolvidos para modificar a microflora intestinal e possibilitar benefícios para a saúde. Estes contêm probióticos, prebióticos e simbióticos (combinação de probióticos e pré-bióticos). Muitos estudos clínicos têm mostrado resultados promissores.
Os probióticos como, por exemplo, os lactobacilos são microrganismos vivos que são as bactérias presentes normalmente no nosso intestino, com a função de auxiliar o funcionamento do intestino e nos proteger de bactérias patogênicas e prevenir possíveis infecções. Eles são habitualmente encontrados em produtos lácteos fermentados. Os prebióticos são componentes alimentares não digeríveis, pertencentes à família das fibras, que estimulam o crescimento e a atividade de diversos microrganismos da flora intestinal, que fermentam em nosso intestino e estimulam o crescimento das bacterias probióticas como, por exemplo, as espécies da bifidobacterium. Esse grupo de bactérias são também responsáveis por diminuir a absorção de gorduras pelo intestino, diminuindo assim o colesterol total e aumentando a absorção de minerais como cálcio, ferro, zinco e magnésio. São encontradas em alguns alimentos como frutas, verduras, legumes, pães e biscoitos integrais.
A alimentação habitual, rica em açúcares, gorduras e substâncias químicas (presentes em produtos industrializados e fast foods), baixo consumo de frutas e verduras, associada a maus hábitos de vida (consumo de cigarros, excesso de álcool e sedentarismo) e automedicação (ingestão desregrada de laxantes, antibióticos, etc), lesam e muito não só a parede intestinal, como também afeta a flora intestinal. Essa desordem afeta não só o intestino, como também a saúde do indivíduo como um todo.
        Uma parede intestinal danificada e uma microflora alterada estão diretamente relacionadas a uma má nutrição, pois a absorção dos nutrientes fica prejudicada. As carências nutricionais provocadas por essa má nutrição podem trazer conseqüências graves ao organismo, uma vez que a ação de certos nutrientes está diretamente ligada à presença de outro. Então, se determinado nutriente não for absorvido, outro que dependa deste não irá executar suas funções e assim sucessivamente, criando um ciclo. Um exemplo disso é o cálcio, o fósforo, a vitamina D entre outros, que atuam juntos na formação dos ossos.
              A alimentação é com certeza, determinante na melhora do intestino, desta forma uma alimentação mais fracionada de preferência de 3-3h, ingestão de 2 litros de água por dia, variabilidade alimentar contendo fibras, frutas, verduras, legumes, leites e derivados nas proporções corretas, garantem também uma maior ingestão de vitaminas e minerais, exercícios físicos regulares, tudo isso favorece beneficamente para uma flora intestinal saudável.
Caso haja necessidade de introduzir um complexo de probióticos para a reparação da microflora intestinal, o ideal é que se procure um profissional Nutricionista capacitado para melhor orientá-lo em relação a utilização dos mesmos e para a melhor eficácia no tratamento, pois este irá fazer uma avaliação específica e elaborar um plano com as melhores medidas para você.