Quando pensamos no intestino, nos passa pela cabeça apenas a fase final de digestão e excreção dos alimentos. Mas na verdade o intestino muito nos tem a dizer em relação a nossa saúde, pois uma flora intestinal íntegra e saudável nos garante além do bom funcionamento intestinal, a prevenção de uma série de doenças como o câncer, síndrome do intestino irritável e inclusive a obesidade. Muitas pessoas acreditam que ir ao banheiro pelo menos uma vez ao dia todos os dias, já garante um funcionamento intestinal saudável, porém, hoje sabemos que não é bem assim que acontece. Sabe por que?
O intestino é a parte final do tubo digestivo responsável pela absorção de nutrientes e água e pela excreção dos resíduos. Para entender um pouco sobre o funcionamento intestinal, precisamos de uma rápida noção da anatomia do Intestino. O intestino é dividido em delgado que compreende duodeno, jejuno e íleo; e grosso, que compreende ceco, cólons (ascendente, transverso, descendente e sigmóide), reto e canal anal.
Sendo assim no intestino delgado ocorre a maior parte da absorção dos nutrientes (proteínas, lipídios, carboidratos e vitaminas) provenientes da dieta. Os nutrientes são absorvidos pelo sangue e passam para o fígado para serem distribuídos a todo organismo. Já no intestino grosso são acumulados os resíduos da digestão, as fezes, sendo neste local absorvida a água antes de passar ao reto. Além dessas estruturas, podemos contar também com a ajuda da parede intestinal que é a responsável pela absorção de alguns nutrientes, bem como é responsável por proteger o organismo da entrada de substâncias estranhas e alimentos mal digeridos.
No intestino encontramos também uma grande quantidade de bactérias, que formam a microflora intestinal. As bactérias intestinais são organismos que funcionam quase como um “órgão” metabolizador que fermentam os carboidratos e as fibras alimentares que não foram digeridas no intestino delgado e formam gases que produzem ácido lático e ácido graxo de cadeia curta. Ácidos esses que fornecem energia para a renovação das células intestinais, melhoram a absorção de minerais e nutrientes, sintetizam vitaminas, diminuem o PH do cólon formando um meio onde as bactérias potencialmente patogênicas não podem crescer e se desenvolver, ou seja, exerce uma ação antibacteriana em relação as bactérias patogênicas, estimula o sistema imunológico, participam na síntese da vitamina K, etc. Portanto, constituem uma barreira protetora que impede a entrada de substâncias estranhas e nocivas ao organismo, capazes de influir na saúde e bem estar do corpo.
Assim, a microflora intestinal é essencial para que o mecanismo de proteção trabalhe normalmente. Na realidade, não ter um equilíbrio bacteriano correto no intestino está associado a uma série de distúrbios, como o síndrome do intestino irritável, inflamação intestinal, câncer de cólon e gastroenterite por exemplo. Mudanças na dieta ou nos padrões alimentares, e o uso de antibióticos, podem ter efeitos nocivos no balanço da microflora intestinal. Uma série de produtos alimentares tem sido desenvolvidos para modificar a microflora intestinal e possibilitar benefícios para a saúde. Estes contêm probióticos, prebióticos e simbióticos (combinação de probióticos e pré-bióticos). Muitos estudos clínicos têm mostrado resultados promissores.
Os probióticos como, por exemplo, os lactobacilos são microrganismos vivos que são as bactérias presentes normalmente no nosso intestino, com a função de auxiliar o funcionamento do intestino e nos proteger de bactérias patogênicas e prevenir possíveis infecções. Eles são habitualmente encontrados em produtos lácteos fermentados. Os prebióticos são componentes alimentares não digeríveis, pertencentes à família das fibras, que estimulam o crescimento e a atividade de diversos microrganismos da flora intestinal, que fermentam em nosso intestino e estimulam o crescimento das bacterias probióticas como, por exemplo, as espécies da bifidobacterium. Esse grupo de bactérias são também responsáveis por diminuir a absorção de gorduras pelo intestino, diminuindo assim o colesterol total e aumentando a absorção de minerais como cálcio, ferro, zinco e magnésio. São encontradas em alguns alimentos como frutas, verduras, legumes, pães e biscoitos integrais.
A alimentação habitual, rica em açúcares, gorduras e substâncias químicas (presentes em produtos industrializados e fast foods), baixo consumo de frutas e verduras, associada a maus hábitos de vida (consumo de cigarros, excesso de álcool e sedentarismo) e automedicação (ingestão desregrada de laxantes, antibióticos, etc), lesam e muito não só a parede intestinal, como também afeta a flora intestinal. Essa desordem afeta não só o intestino, como também a saúde do indivíduo como um todo.
Uma parede intestinal danificada e uma microflora alterada estão diretamente relacionadas a uma má nutrição, pois a absorção dos nutrientes fica prejudicada. As carências nutricionais provocadas por essa má nutrição podem trazer conseqüências graves ao organismo, uma vez que a ação de certos nutrientes está diretamente ligada à presença de outro. Então, se determinado nutriente não for absorvido, outro que dependa deste não irá executar suas funções e assim sucessivamente, criando um ciclo. Um exemplo disso é o cálcio, o fósforo, a vitamina D entre outros, que atuam juntos na formação dos ossos.
A alimentação é com certeza, determinante na melhora do intestino, desta forma uma alimentação mais fracionada de preferência de 3-3h, ingestão de 2 litros de água por dia, variabilidade alimentar contendo fibras, frutas, verduras, legumes, leites e derivados nas proporções corretas, garantem também uma maior ingestão de vitaminas e minerais, exercícios físicos regulares, tudo isso favorece beneficamente para uma flora intestinal saudável.
Caso haja necessidade de introduzir um complexo de probióticos para a reparação da microflora intestinal, o ideal é que se procure um profissional Nutricionista capacitado para melhor orientá-lo em relação a utilização dos mesmos e para a melhor eficácia no tratamento, pois este irá fazer uma avaliação específica e elaborar um plano com as melhores medidas para você.
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